Mutuípe completa 87 anos neste dia 12 de outubro com várias atividades que iniciam pela manhã com a missa em Ação de Graças na Igreja Matriz de São Roque.

As comemorações pelo aniversário da cidade, juntamente com a comemoração do Dia das Crianças, foram iniciadas dia 07 de outubro. Desde então, estão sendo realizadas diversas atividades organizadas pela Prefeitura e por outras entidades e grupos que ajudam a construir a história do município.

Considerado um dos destaques da programação, o 1º Popularte reuniu músicos, cantores, poetas, rodas de samba e de capoeira na Praça Góes Calmon, revelando os talentos da terra e atraindo o público apreciador da  música e das expressões culturais.

A Casa de Cultura homenageia o Dias das Crianças com a Exposição de Brinquedos que reúne brinquedos da década de 80 e, no Colégio Ruy Barbosa acontece a Feira de Ciências que aborda o tema sustentabilidade.

Durante todo o dia 12 de outubro, acontecerão atividades comemorativas. Veja a programação.

PROGRAMAÇÃO:

08:00Hs – Missa na Igreja Matriz

10:00Hs – Apresentações culturais como o grupo de capoeira Mutum do mestre Nego Doi, apresentações das escolas Maria Júlia com percussão, Anísio Teixeira, Lídio Santos, Maria Júlia, Ana Lúcia Magalhães, Colégio Julival Rebouças e Programa AABB Comunidade  com dança da galera.

13:00Hs – Teremos também a apresentação da fanfarra de Maracás.

13:30Hs – Apresentação do grupo CAMT do Colégio Julival Rebouças e os

15:00HS – Blocos das escolas, da AMPACE e da Assistência Social “Bloco Folia, tudo junto e misturado.

E em seguida… festa na praça com trio elétrico e Valney e Banda, Swing sem freio, Chica fé, Arrocha do gueto e Ricardo Chaves.

Neste dia em que nossa cidade faz aniversário, vale a pena relembrar os dados históricos do município de Mutuípe:

Dados Históricos

Até meados do século XIX, toda a zona ribeirinha do rio Jiquiriçá, abrangendo o território do atual Município de Mutuípe, era habitada por índios, que pouco a pouco abandonaram a região, à medida que seus domínios eram conquistados pêlos brancos.

Em 1849, Manoel João da Rocha, juntamente com outros pioneiros, chegou ao local onde hoje está situada a sede do Município, iniciando derrubadas e entregando-se ao cultivo da terra. Entre as propriedades dos primeiros povoadores encontrava-se a Fazenda Mutum, assim denominada pela abundância verificada da ave do mesmo nome (craxalector). Segundo Teodoro Sampaio, o topônimo Mutuípe vem de “mutum”, ave do local, e “ipe”, que em tupi-guarani quer dizer “forte”.

Situada no antigo Município de Jiquiriçá, a Fazenda Mutum ficava à margem de uma estrada que ligava os sertões do sudoeste baiano a Minas Gerais. Os tropeiros que por ali transitavam faziam daquela propriedade ponto de repouso e reabastecimento. Devido a isso, bem assim à fertilidade do solo e ao espírito progressista do proprietário Bernadino Lopes, começou a formar-se em Mutum, por volta de 1900, um pequeno núcleo de agricultores e negociantes.

Com a chegada dos trilhos da “Tramroad de Nazaré”, a 29 de janeiro de 1905, ligando o Município ao porto fluvial de Nazaré, teve início uma nova fase de progresso.

A Lei Estadual n.° 778, de 30 de maio de 1910, transfere para o próspero povoado o Distrito de Paz de Riacho da Cruz.

Formação Administrativa

Em 1920 foi desencadeado um movimento pela emancipação político-administrativa do povoado de Mutum, como passou a ser conhecido na região. Tanto que em 26 de julho de 1926 foi aprovada, na Câmara Estadual, a Lei n.° 1882, criando o Município de Mutuípe, instalado a 12 de outubro do mesmo ano.

Segundo o quadro da divisão territorial vigente em 1.° de julho de 1955, o Município de Mutuípe e composto de um único distrito.

O Município de Mutuípe pertencia ao Termo de Jiquiriçá, da Comarca de Ubaíra, até 2 de Julho de 1949, quando, por força da Lei n.° 175, foi criada a Comarca de Mutuípe, que compreende o Município de mesmo nome.

Fonte: IBGE

 

Mutuípe em verso e prosa

MUTUÍPE, lembranças!

Você sabe como surgiu?

De uma aldeia de índios

Ninguém sabe ninguém viu.

Você sabe do trem de ferro?

Na Rua da Linha

Antes o trem apitava

Hoje ficou a Estação,

Na lembrança do Povo

Está a “ASSOCIAÇÃO”

E o Povoado do Mutum?

Você tem idéia?

Antes era só mato

Em volta do Jiquiriçá

Do Riacho da Cruz a serra do Rato.

Suas origens Pesquisar.

E a Rua do Banheiro,

A Pedra da Mãe D´água,

A Fonte da Barroquinha?

Com as “latas d´água na cabeça

Levando para abastecer a cozinha.

Os armazéns dos Lanza no Fojo?

Vendiam tecidos, carne seca,

bacalhau e até remédios

E o comércio da Moenda,

Do Riachão do Vinhático,

Tabuleiro e Ribeirão,

Com o poder do café e açúcar

Na memória do povão.

No Natal,  S Roque e S.João

Ternos de Reis e Burrinha

Bumba Boi de Argemiro da Luz

EIvo de Honorato Correia,

Muita Alegria e cantoria

Mutuípe, muitas artes e cultura

o obelisco como marco

De uma história e liberdade.

Mutuipe! Seu nome é uma mistura

Do pássaro MUTUM e

A aldeia indígena

Com significado de IPE.

E o Mutum? Pássaro em extinção

Ficando o seu nome

Para nossa recordação.

Do Povoado do Mutum

Ficou a Ponte do Arco,

Como andam

As balaustradas na Góes Calmon,

Rua da Ladeira, Rua da Linha,

Rua do Cemitério e Baixinha?.

E as Escolas, Colégio de Mutuípe,

Antigo Prédio Ruy Barbosa,

Colégio Henrique Brito

Escola Técnica Vale do Jiquiriçá,

Quem delas não se lembrará?

Mutuipe avançar, avançar,

Princezinha do Teritório

do Vale do Jiquiriçá.

87 anos de Município

Muita história pra contar.

 

Mutuípe!

75 anos de emancipação,

no passado o povoado

do Mutum,

pouso de viajantes,

ferrovia e estação,

muitos imigrantes e

a história em construção.

Mutuípe!

AVELIBERTAS!

Liberdade,

Relevância no brasão,

no sentido positivista

aidéia de saudação,

simbolizando um desejo

dos emancipadores,

nas glórias e exaltação.

Mutuípe, “avançar”

já dizia Stela Dubois,

Mutuípe!

Recôncavo Sul da Bahia,

Tabuleiros de Valença,

com muita sinergia,

organizando a sociedade,

marcos históricos:

obelisco, ponte do arco,

que embelezam a cidade.

mutum, pássaro em extinção,

ficando o seu nome

 

Mutuípe!

No ipê a força,

para nossa recordação.

 

Mutuípe!

das terras a apropriação,

deixando marcas  históricas,

riqueza do cacau,

na sua edificação,

hoje um impacto social ,

na queda de produção.

Mutuípe!

Belas paisagens,

rios e cachoeiras,

na ação do homem,

o consumo e produção.

Impactoambiental

história oral dos habitantes,

uso da água

e sua historicidade,

dos recursos da natureza,

buscando a sustentabilidade.

Usando práticas diferenciadas,

situações concretas

do ambiente a questão,

na Prefeitura,

da educação uma visão,

na perspectiva progressista,

busca contribuir,

no processo de libertação,

de um povo que sabe lutar,

que tem muita ousadia

constrói o seu próprio historiar!

Com a transformação

Conceitual

Mutuípe, avançar, avançar!


MUTUM! – Espaço e Apropriação:

Mutum!

Uma fazenda do velho índio cariri

Junto ao Rio Jiquiriçá

O arraial se edificou aí.

Mutum!

Da terra a apropriação,

Subsistência! Escambo, como foi?

“Por uma espingarda lazarina

E vísceras de boi,”

Com os parentes de Ana Joaquina

E sua filha Ludovina,

Deu-se início ao povoado

Assim foi contado.

Mutum!

Solos férteis e povoamento

Nos Trilhos da ferrovia

A Vila em desenvolvimento

Pouso de viajantes

do comércio varejista

Contam histórias interessantes,

Da Moenda ao Bom Jesus

Fojo, Cariri e também

do Riacho da Cruz.

Mutum!

Um belo pássaro

Da fazenda o seu nome

No Vale do Jiquiriçá

E o pássaro, onde andará?

Mutum!  Zona da Mata,

Com seus rios e cascatas

Lavouras e pastos,

gerando   progresso e riqueza,

Nas águas calmas do rio

Desenvolvimento, com certeza.

Mas, em 1914, vem a chuva e a inundação,

com a malária e a pobreza,

E assim, o povo na sua fé

Invocando a São Roque

fundando uma igreja.

Chega o sanitarista estadual

Combatendo a calamidade

Com a medicina e a alegria

Ao povo dessa localidade.

Mutum!

Povoado dos cariris,

Proprietários da terra do mutum,

Índios do grupo tupi.

Dizimados?!

Não há vestígios por aqui.

Para nós o seu legado,

o IPE de Cidade,

do tupi a designação

Mutuípe,

cidade do mutum,

Com muita apropriação.

Mutum + ípe.

Da Vila a emancipação

Em junho de 1926

Transformando em cidade,

Posse jurídica em outubro

Com muita comemoração.

Mutuipe!

Marcos históricos

“Obelisco”, “Ponte do Arco”.

“Balaústres”, “Estação”

No brasão: “AVE LIBERTAS”

Mostrando um passado

Na história da população.

Autoria: Joselita Vilasboas – 2002

Mais informações:

MUTUIPE

Sua Localização:

Coordenadas Geográficas: 13º 14’ de Latitude Sul e 39º30’ Longitude Oeste de Greenwich.

Mutuípe no Estado da Bahia se encontra na 29º Região Administrativa, subordinada à DIRES e DIREC – Amargosa- sede regional. Na microrregião homogênea de Jiquié-024, no sudoeste da microrregião econômica do Recôncavo Sul – 03, e na região de planejamento 03 Litoral Sul.

Dista a 116 km, em linha reta, de Salvador, e 235 km por via rodoviária.  Mantém estreitas relações econômicas com os Municípios de  Santo Antonio de Jesus (a 55 km), Valença (75 km), Amargosa(30 km e pela nova rodovia 26,5 km).

Faz divisa com os Municípios de: Ao norte e nordeste: Laje, ao oeste Jiquiriçá, ao leste Valença e Presidente Tancredo Neves e ao Sul Teolândia.

Como se forma um povo

O principal componente populacional de Mutuipe é a terra, cuja posse foi marcada por desapropriação da área que pertencia aos índios cariris. É instigante pensar como tudo se formou, a partir do próprio dono da terra, um descendente da tribo cariri que troca a área em questão por bens de subsistência (uma espingarda velha e vísceras de um boi) para o senhor Manoel João da Rocha e suas filhas. A partir daí o que se sabe são casos e situações baseadas no testemunho, passado de geração em geração, o que, entretanto, não alcança o tempo da chegada dos primeiros engenhos (de Gabriel Soares) no Vale do Jiquiriçá. As terras ficaram como herança para suas filhas Marcolina, Reinalda e Ludovina, estas se casam e vêem morar na região.

A diversidade de nome de famílias, em virtude das várias origens de pessoas que ocorreram à área, ainda pode ser identificada até hoje nos descendentes filhos e netos desses (Lopes, Nascimento, Sampaio, Silva, Santos, Souza, Andrade, entre outros).

Há muitos outros fatos a serem considerados de equilíbrio em que aparecem, dividindo o poder, os donos das terras, os comerciantes, os servidores públicos e principalmente a igreja, tudo isso como resultado da miscigenação entre os desbravadores, os aventureiros, os índios e os construtores da estrada de ferro, que compuseram o núcleo original.

Em posição integrada estão os que foram erradicar a epidemiada varíola que se agravava naquela região da mata atlântica. Estes são representados por Bartolomeu Antero Chaves – médico sanitarista, Rodolfo Gil Rebouças- comerciante (coronel patenteado), e muitos outros que com eles chegaram até o vale.

Surgem núcleos familiares de imigrantes estrangeiros descendentes de italianos, como os REALE – na Moenda e os LANZA, que desenvolvem o comércio na Vila Mutum e Alto do Fojo.

Algumas famílias tiveram sua origem nos trabalhadores e viajantes da construção e funcionamento da Estrada de Ferro Nazaré-Jiquié (Trans Road Nazaré), (que fazia parte da Rede Ferroviária Federal Leste Brasileiro).”A 29 de janeiro de 1905 foi inaugurado o tráfego do ponto do Mutum… ” vide Informativo Folha da Cidade- Amargosa BA, Ano  IV – nº 43, página 8.

Colaboração Profª Joselita Vilasboas

A história de Mutuípe em fotos

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